MEDO, EMOÇÕES OU ANSIEDADE.

Todos nós já sentimos ao longo da vida emoções como o medo ou a ansiedade. No entanto, apesar do medo estar muitas vezes associado a uma conotação negativa, é uma resposta emocional universal, que nos ajuda a encarar desafios, metas e preservar as nossas vidas. Se não experienciarmos algum medo quando estamos diante de um perigo iminente ou uma ameaça (como uma situação de emergência, por exemplo), ou de um desafio (como uma entrevista de emprego), não conseguiríamos agir com a prudência e agilidade necessárias para nos prepararmos para o desafio, evitar o perigo ou, por outro lado, reduzir as consequências negativas. O problema na realidade surge quando a resposta de medo é desajustada face ao contexto que enfrentamos e, aí sim, começamos a falar de ansiedade, e em particular, perturbação de pânico.
No transtorno de Pânico, os episódios de ansiedade são recorrentes, e têm uma intensidade severa, e não se relacionam com situações ou circunstâncias concretas. Por isso, acontece frequentemente nestes casos, as pessoas manifestarem uma ansiedade constante que não está relacionada com uma situação ou acontecimento concreto. O medo de futuros ataques de pânico conduz a uma constante vigilância das sensações corporais, o que aumenta a ansiedade antecipatória. Com isto, os sintomas (respiração mais rápida, taquicardia, suores nas palmas das mãos, etc.) ao serem detectados são mal interpretados, criando medo, insegurança e apreensão. A interpretação é influenciada pelo medo destas sensações, pela expectativa de consequências devastadoras, bem como pelas recordações de episódios anteriores. Por isso, tudo isto resulta num aumento da ansiedade antecipatória, o que caracteriza um ciclo contínuo do pânico.
Ao pânico, facilmente se associa uma outra perturbação: a agorafobia. A agorafobia evolve, tipicamente, o medo de um conjunto de situações que incluem estar fora de casa sozinho, estar em sítios com muita gente ou numa fila, passar em pontes, viajar de autocarro, comboio ou carro. Nestas circunstâncias, as situações que geram medo são evitadas ou vivenciadas com uma ansiedade muito elevada, devido à possibilidade de se ter um ataque de pânico ou de surgirem sintomas de pânico. Em muitos casos, a pessoa necessita de alguém que a acompanhe para conseguir enfrentar as diversas situações.
No entanto, apesar de a ansiedade funcionar como um sinal de alarme através de determinadas sensações desagradáveis, estas sensações servem para nos alertar de situações que consideramos perigosas, ameaçadoras ou contrárias aos nossos desejos. Desta forma, temos a oportunidade de nos prepararmos para enfrentá-las, evitá-las ou diminuir as suas consequências. A ansiedade tem, desta forma, um papel adaptativo importante.
A psicologia por meio do processo psicoterapêutico vem possibilitar benefícios ao paciente que sofre com esses sintomas, permite, num curto espaço de tempo, lidar com a sintomatologia mais representativa através de técnicas de intervenção específicas para a problemática apresentada.
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